NECRO > ADIANTE

Slanderer // Unborn

Essa meninada de Alagoas entrega mais uma obra-prima no que diz respeito ao som setentista feito nesse Brasil varonil. O Necro adota de vez o português para suas músicas, que também agora parecem mais lapidadas, com certo freio-de-mão no Progressivo, ainda que letárgico e alucinógeno em vários instantes. A veia pulsa um certo quê de Mutantes em seus momentos mais intenso e, claro, se você não faltou as aulas, vai perceber A Bolha, O Peso, O Som Nosso de Cada Dia e Casa das Máquinas. Ouça com atenção as texturas da faixa “Azul Profundo”, que entenderá bem o que esse trio vem navegando. Até arrisco em dizer que essa garotada andou ouvindo alguma coisa de Marcos Valle e o “Água do Céu Pássaro”, primeiro disco de Ney Matogrosso pós-Secos & Molhados. “Adiante” é assim, um disco pra cima, propositivo e atemporal em toda sua essência de vanguarda. A cada música há um degrau imaginário, um crescimento progressivo de peso e melodia. Os trampos de guitarra de Pedro Salvador estão a flor da pele. Que puta timbragem esse guri conseguiu. PQP!!! As linhas vocais de Lillian Lessa continuam sensacionais. Essa menina manda bem demais. Degustar esse disco em streaming é covardia, tamanha a beleza da arte gráfica e composições dignas de um gatefold! Ansioso pra esse material sair fisicamente. Quero ouvir “Deuses Suicidas” – uma das melhores faixas do play - com o chiado da velha agulha. Sem dúvidas, um dos melhores discos que escutei ultimamente.