LACERATED AND CARBONIZED > NARCOHELL

Pedro Hewitt

Lançar um trabalho como uma banda underground não é uma simples tarefa do dia pra noite. No caso desta resenha, é mais que perceptível a luta que a banda carioca faz desde 2005, onde de lá pra cá lançou um acervo de materiais, pegando a devida experiência e chegando até aqui, até NARCOHELL. É Death Metal/Splatter pra ninguém botar defeito.

Foi intitulado de NARCOHELL na devida clareza do que acontece e do que anda piorando cada vez não só no Rio de Janeiro, mas também no Brasil todo, com letras de revolta, caráter e manifestando todo o ódio vindo das favelas, do submundo, da sociedade. Em cada trecho o quarteto explica que vieram para mostrar mais profissionalismo do que haviam sido em The Core of Disruption.

Dentre essas faixas, boa parte foram compostas de forma mais pesadas e sem 'variações', bem mais diretas e com refrões que grudam iguais a faixas como 'O Ódio e o Caos' e ' The Candelária Massacre', tendo assim um pacote insano de primeira qualidade, recheado do mais puro e agressivo Death Metal nacional.

A sonoridade continua na mesma pegada, mas preenchendo o que estava faltando nos materiais anteriores, com menos riffs variados, solos rápidos e fulminantes a todo vapor, lembrando em algumas partes músicas como Krisiun e Nervochaos. O vocal gutural 100% urrado de Jonathan deixou muito a desejar em Homicidal Rapture, mas fiquei na espera de que sem dúvidas iria ficar mais que satisfeito em The Core of Disruption, e acabei ficando, mas em NARCOHELL superou logo na primeira faixa, onde de nenhuma forma consegui ver falhas ou exageros (Arriscando até em um Squeal e um vocais rasgados), tudo na medida do possível e colocado de uma forma como poucas bandas nacionais botam. A bateria 100% trigada de Victor Mendonça massacra, maltrata e surge em tudo que é segundo com técnica, organização e brutalidade, tímpanos que se segurem, as levadas e pedaladas são arrepiantes, fazendo com que o baixo bem grave e afinado de Paulo Doc sempre fique em evidência com seu parceiro de cordas, Caio Mendonça, afinal, todos da bandas se destacam.

As 4 primeiras faixas liberam uma áurea tão intensa que mudam qualquer visão ruim que alguém pode ter da banda, falando sobre o terror nas ruas, o medo de ter uma vida e de viver entre milhares de seres corruptos, sobre o conhecido e caótico BANGU e das drogas que rondam nossos amigos, filhos e conhecidos. Prosseguindo com mais 4 faixas, onde não dá pra ficar parado, nem mesmo com os cabelos, encarna um espírito revoltado a fim de destruir tudo que é de ruim nesse país repleto de erro, repleto de incerteza, mostrando a evolução que a banda deu de 2013 até agora. 

O Death Metal nacional sempre aparece com algumas bandas extremamente saturadas, cheias de firulas e dezenas de riffs chatos, abusando de segundo a segundo, mas LAC capricha no terror musical (No bom sentido) e capricham nas letras mescladas Inglês/Português ao lado de sua cozinha madura de instrumentos sicronizados, incorporando como se estivessem dentro de uma guerra civil. 
A bola cheia que se destacou ao lado das faixas não seriam pra menos, Andy Classen (Onde já trabalhou com o Krisiun, Destruction...) pela mixagem e a capa desenvolvida por Caio Mendonça, onde não saiu do foco e proposta da banda.
O que posso dizer é que o Lacerated and Carbonized mostra técnica e agressividade em todas suas músicas, não consegui destacar nenhuma faixa. Curtam esse CD e fiquem de olho para uma turnê em breve, sem dúvidas não irão se arrepender!

Tracklist:
1 - Spawned In Rage
2 - NarcoHell
3 - Bangu 3 (Feat. Marcus D'Angelo - Claustrofobia)
4 - Severed Nation
5 - The Urge
6 - Broken (Feat. Mike Hrubovcak - Monstrosity)
7 - Terminal Greed
8 - Condition Red
9 - Ruinous Breed
10 - Decree of Violence
11 - Parallel State
12 - Hell de Janeiro
13 - Mass Social Suicide

Line Up:
Paulo Doc (Baixo) 
Caio Mendonça (Guitarras)
Jonathan Cruz (Vocal)
Victor Mendonça (Bateria)