União Metal > Teresina-PI

Pedro Hewitt / Fotos: Mary Matos, Romulo Clemente, Paulo Mendes e bandas.
Dessa vez sem dúvidas a Brothers of Metal Prod passou dos limites quando se fala em shows que valorizam o Underground.  Quem foi sabe do que estou falando.

Mas calma aí, passou dos limites de uma forma bem inusitada e não uma forma negativa. Quem diria que um festival como o que fizeram acabou dando realmente certo. Algumas vezes ouvimos que o underground está morto, que o rock está morto. Porra, o rock morto?! Não creio. Nunca acreditei. E o evento que aconteceu no último dia 14/03 provou exatamente a chama pela qual é acendida todos os dias por esse Brasil, que reuniu um público que rendeu comentários positivos e uma energia vibrante a todas as bandas que tocaram no 1° União Metal (Por ironia do destino o nome ficou igual a um mesmo fest de São Luis, mas não são a mesma produtora e nem o mesmo show).
No evento que se teve inicio por volta das 9:40 (Apesar da chuva um pouco antes, o evento seguiu normalmente e não houve problemas técnicos que atrapalhassem as bandas pra valer). Quando cheguei havia muita pouca gente presente na porta e já dentro, algo estranho porquê foram vendidos até um número legal de ingressos apesar do curto tempo que foi deixado nos postos de vendas, porém esse foi só um ‘estopim’ para detonar a noite. Após uma boa conversa com os membros do War Torment comentando sobre breve assuntos, com o Symphony Draconis que já estavam a postos em seu stand, com o grande brother Vinny Fist, os outros do Fist Banger que esbarrei logo na entrada e com Danilo (Selvageria), eis que o War Torment se posiciona no palco para detonar os tímpanos dos bangers presentes.
A banda após um grande hiato foi convidada através do David Mazuad para promover a sua volta que alguns já aguardavam e fazer reviver momentos memoráveis que chegaram a fazer anos atrás (No período pela qual pararam eu nem andava em show ainda, então posso somente afirmar que a evolução ficou suprema e muito mais evoluída do que a gravação que fizeram), um show com repleto riff devastador que me lembrou bastante o Dissection e o lendário Morbid Angel. O vocal de Marcius superou minha expectativa quando tocou a faixa pela qual conheci eles, 'Sons of War', que insanidade.
A banda apresentou um show primoroso, como era de se esperar. Percebi que havia vários da plateia que estavam ali pela primeira vez e viram um monte de novidades (Tomara que esses que frequentaram pela primeira vez ali tomem gosto pela coisa e passem a ir mais a eventos autorais, serão muito bem recebidos), como funcionava o sistema, como era curtir um show assim. Foi lindo. Apesar do calor que a chuva só fez aumentar (Os gaúchos ficaram 'só a lama' no final da apresentação deles), apesar das dificuldades de trazer uma banda novamente a ativa como esta, fizeram o que prometeram e pode colocar no currículo 'TAREFA FEITA'.
Não demora muito para o Fist Banger começar a aprontar os equipamentos para detonar com o veloz e ‘batedor de cabeça’ Speed/Thrash cearense apresentando músicas que fazem parte do seu EP de estréia, a banda mandou ver sem dó e sem piedade em seu setlist médio e não erraram uma nota sequer. Em um certo momento Vinny achava que as caixas de som havia algum defeito, mas ele conferiu e estava tudo OK sem desperdiçar sua voz potente e característica. Mas porra, a piração foi tão intensa que o novato na banda acabou quebrando o parafuso onde fica acoplado a ''bandoleira'', isso no meio das músicas, tentaram até usar outros meios para consertar mas infelizmente não deu. Aliás, Vinny, dá próxima pede pra costureira melhorar essa calça!
E quem disse que isso tirou a energia dos caras?! A apresentação rendeu mais que em 2013, parecia que cada um já estava adaptado com o clima daqui. Muitos foram por eles, outros foram pra conhecer, enfim... E quem disse que isso tirou a energia dos caras?! A apresentação rendeu mais que em 2013, parecia que cada um já estava adaptado com o clima daqui.
Muitos foram por eles, outros foram pra conhecer, enfim... Além das composições próprias, o ponto alto do show foi quando Vinny, Jardel, Yan , Paulo e Igor optaram em um momento tocando ‘Agent Steel’ (Agents of Steel) e no final disparam o petardo ‘Power Thrasing Death’, do Whiplash, fazendo com que o público pire de vez para finalizar a apresentação. Eu avisei que iria valer a pena em 2013 e avisei novamente, se caso estou errado pode falar... E para quem ainda não os conhecia, depois desse show tenho certeza que se tornaram fãs, sinal disso é no final do evento praticamente não haver mais merchandising da banda a venda, tamanha foi a procura por seus CDs e camisetas.
Não foi a toa que tive o prazer de resenhar o debut desses gaúchos e ter ficado surpreso pela técnica e profissionalismo que continha ali. Banda que desde 2006 vem se destacando no cenário do metal nacional e até mundial, com apoio vindo de países como EUA, Chile, entre outros... Apresentaram um setlist recheado de músicas de seu álbum, durante o show, Nekard comentou sobre sua primeira apresentação no nordeste, sobre a distância que percorreram, e sem enrolação começaram a tocar uma das mais esperadas músicas, Ain Soph Aur, regada com as vozes do público que decorou rapidamente o que Nekard queria, além de alguns terem ouvido a faixa disponibilizada através do youtube.

As indicações fiz da banda para amigos realmente viram que não foi a toa, até agora não recebi nenhum comentário negativo sobre isso, e creio que nem irei receber. Cada integrante possui a evidência que merece, são músicos extremamente entrosados, que levam a sério aquilo que fazem, que mostram de ponta a ponta o sentido da palavra METAL EXTREMO.
É um tipo de banda que sai da mesmice e demonstra sinal de inovação, sinal de que ainda tem muito para mostrar. Nekard além de ser uma simpática pessoal, demonstrou que não veio para brincadeira, demonstrou que o Brasil tem sim bandas de Black Metal com uma qualidade gringa, com uma massa bem distribuída, e com ele os outros sem dúvidas são da mesma forma (Follmer que o diga. Putz, 6 cordas?! Rápido, frenético, intenso e forte. Isso define ele sem dúvidas). Thiernox, foi um prazer conhecer você pessoalmente, espero um dia ir em outro show ai em POA e trocar ideias junto com o Pilatus e Brutal Morticinio, hein?!

Formada por Nekard (vocal), Thiernox (guitarra), Aym (guitarra), Follmer (baixo) e Vogel (bateria), o grupo praticamente pôs o Bueiro do Rock a baixo com um Black Metal rápido, pesado e empolgante. É um crime você não conhecer a banda!
 
E pra fechar com uma chave veloz de ouro, SELVAGERIA. Os caras não medem consequência na rapidez. Mais acima citei que não teve problemas na aparelhagem, mas eis que nesse momento adicentalmente durante segundos teve uma falha na guitarra de César, mas não foi motivo para a banda parar ou diminuir a interação com a galera que ainda estava em peso. 

O quarteto teve todas as suas músicas cantadas pelo público como, Trovão de Aço, Na Lâmina da Foice, Metal Invasor e a fuuuuudida HINO DO MAL, fora as que não estavam no setlist e as novas (Que por sinal estão melhor do que eu esperava). A pancadaria também não abriu espaço para descanso, tão tal que Tomás não parava quieto, fazendo que a galera pirasse ao mesmo tempo dando a energia para ficar cada vez mais eletrizante. Energia que durou até o último suor de energia, até a última gota de coragem, que curtiu até o final sentiu a pressão e mostrou que o evento foi sensacional e que as bandas fizeram os papéis certos.
Todas as bandas tiveram excelente público (mesmo os anfitriões do Selvageria, que acabaram depois um pouco das três da manhã, para os heróis que ainda estavam em pé àquela hora), todos da plateia divertiram-se como se não houvesse amanhã. Algo que não posso deixar de falar foi o jogo de luzes que havia no palco, uma estrutura pouco vista no underground, um som completamente audível, bateria sem ‘turbulência’, microfone sem fio (Facilitando para os vocalistas que gostam de pular, deitar, rolar, enfim...), foi mais que bem sucedido. Parabéns a todos os envolvidos, e parabéns novamente por mais um show excelente Brothers of Metal.