Noise > Globalização

Slanderer Possessed | UNBORN
É estranho falar sobre certas coisas do barulho subterrâneo em pleno 2014, mas havia um tempo que, lá pelos fins dos anos 80 e mais efetivamente nos primeiros anos dos 90, existia certo radicalismo, ainda que meio infantil, trilhava e preservava o que era ideológico e distante dos olhos dos curiosos e embalistas... Aliás, o termo embalista, não existe há mais de 20 anos, creio eu.

Sou um ignorante amaldiçoado, para não dizer abençoado, o que seria piegas. O material que recebi hoje é uma espécie de standard a tudo aquilo que estive envolvido entre cola em cima do selo nos últimos 25 anos. Receber de presente de Casella o Split do Noise e da japonesa Sete Star Sept, me garante, estupidamente, mais 666 anos de arrogância e radicalismo. Uma camisa pintada à mão então, é o combustível para vomitar em todas as crenças e moral social. 

E é sobre o Noise, especificamente, que me reporto como um dos mais estúpidos dos estúpidos. Lembro que, ainda pelos idos de 92 e 93, a banda Noise era o petardo do grindnoise nacional. Os velhos K7s não deixam mentir! O mais improvável de tudo, é que estes caras ainda estão na ativa, alheios e marginais a um segmento de boutique que se acomodou chamar de música extrema no Brasil. E logo hoje que, temos que agir de forma política para não desagradar os mais próximos... os amigos e conhecidos das bandas mais comuns... 

Essa merda de status quo é uma hipocrisia! Há 20 anos era cabível bradar e desafiar: quem não conhece ou não ouve o Noise é po$er! Hoje, essa atitude não é bem quista. Hoje, o underground é virtual, condicionado ao domicilio familiar, de baixar a guarda e conviver junto aos normais, sem mandar ninguém tomar no cú. Sou do tempo em que se gravava uma fita cassete a quem você arriscaria ser digno de ter e ouvir. Hoje, isso acabou! Não existe mais boicote. 

Mas, puta que pariu, ouvir o Noise hoje em vinil (em 10´) pra mim é um puta privilegio! E toda essa forma áspera de antigamente, é confortável além dos míseros tempos que se ouve música barulhenta através das velhas cartas. Tive a sorte de encontrar, pessoalmente, duas vezes, com estes caras dos quais devo a forma e a maneira que sou em termos de underground. Conhecer e beber cerveja com com Cazela e Luizinho (no velho encarte, era escrito assim), não há como traduzir em palavras. Nunca falei isso pra eles antes... Minha admiração pelo Noise é da pré-história. 

E hoje, ainda que exista essa bosta de ser politicamente correto neste meio, meu irmão, se você diz que ouve Grindcore e não tem nada do Noise, você é um poser. Simples assim! É a mesma coisa de dizer que gosta de splatter e não ter o ep do Sarcastic e do Rotten Flesh. É um poser!!! É a mesma coisa de dizer que gosta de Deathnoise e não ouvir Necrobutcher. É um poser!!! Viva o radicalismo! Viva os velhos tempos da ignorância e da estupidez do preto e branco! Pau no cú de deus! Pau no cú dos modistas!!! Este post é dedicado ao amigo Ricardo Teixeira, que entende como ninguém o que é ser de fato viver às margens do for-fun! Real noisecore maniacs that support us!!!! 

P.S.: Cola em cima do selo. Favor, devolver meus selos. 
P.S.2: Só, somente, os iniciados entendem.