METAL PIAUÍ

O melhor do metal Piauiense
Fragmentos de memória da música pesada em Teresina.

O texto é um relato pessoal de Zenon Deolindo sobre a trajetória do rock na cidade de Teresina. Neste texto o autor destaca as décadas de 80 e 90, período do auge do rock nacional e internacional.

Formação Clássica da Banda Vênus: Pincel, Ico Almendra, Thirso Marechal, Kinha

Teresina no início dos anos 80,era uma cidade muito pacata e provinciana com relação ao rock e outros meios de cultura e lazer. Conversando com Emanuel Cândido ( Emanuel Accept), Adail Assunção e outros amigos de longas datas tentamos reconstruir todo o percurso e trajetória da música underground em Teresina. Através dessas conversas entre amigos, surgiu a ideia de escrever este relato para registrar esta época marcante do rock e da nossa juventude.
No entanto nosso objetivo neste texto não é falar propriamente só de bandas com uma forte tendência metal ou rock pesado, mas mencionar outras bandas que faziam punk rock, hardcore…tentando traçar um panorama de todo o cenário musical daquela época. A cronologia dos fatos não segue uma sequência rígida, visto que lembramos acontecimentos ocorridos em 1986, em outro momento 1987 e 1990. Porém, buscamos organizar estas reminiscências de modo que fique compreensível para o leitor.

Banda Vênus ao lado de um mini door, de divulgação de um show no Centro de Convenções.

Em meados dos anos 80 eram raras as lojas que vendiam vinis de heavy-metal por aqui. No entanto as que existiam contribuíam muito, com a juventude que gostava de rock, trazendo as novidades que surgiam no, principalmente o que acontecia no Sudeste brasileiro , discos importados eram raros. As lojas de Teresina que se destacavam no mercado de discos eram as lojas Dragão, Honolulu e Eletrodiscos. Nas lojas Dragão havia um vendedor roqueiro (headbanger), o Gildevan ( in memorian, foi assassinado no Maranhão, segundo depoimento de Fernando Torres). O cara trabalhava com os cabelos longos, coisa muito rara naquele tempo, ele era muito gente fina, bom papo. Nessa loja era comum encontrarmos os velhos amigos comprando discos. Logo depois surge a Honolulu, que tinha alguns clássicos do metal, junto com rock nacional (Brock) que estorou na década de 80. Entre 1982 e1983 por aí, surge a loja do cabeludo (Wellington), nesta loja trabalhava um moreninho de apelido´´ metal´´, ali no calçadão onde hoje funciona a ex -rua climatizada a Elizeu Martins ( isso é ironia, pois não há frio nenhum ali, kkk!). Mais tarde surgem outras lojas na Simplício Mendes e uma rede chamada Eletrodiscos onde trabalhava Raimundo e vários outros amigos. Era para estes amigos que encomendávamos alguns vinis de heavy metal, pois os primeiros vinis que surgiram por aqui eram raríssimos, além disso, havia uma grande dificuldade de interação com as pessoas de fora que estavam por dentro do mercado do rock. Só quando alguém daqui viajava a um grande centro e trazia alguns vinis, às vezes íamos a Fortaleza e comprávamos na Opus Discos do Tony (Galeria Pedro Jorge no centro). Lembro também das lojas Woodstock, Baratos Afins e outras em São Paulo, a Cogumelo Discos em BH, a Heavy Discos no RJ estas lojas vendiam via correios.

Formação da Vênus em 1986
Erisvaldo Borges, Joãozinho, Marcelo Leonardo, Kinha e Pincel.

Vou começar a falar sobre o início do movimento rock em Teresina com a banda Vênus que surge mais ou menos entre 1982 e 1983 formada por Thyrso e Iko nas guitarras e Pincel no baixo e Kinha na bateria, Vênus teve outro guitarrista chamado Nenê, antes do Iko. Depois surge entre 1984 e 1985 mais ou menos, a banda Wagark, banda formada por kasbafy, William, Rogério Barros, Bebeto e Kleber.

Vênus em ação

Lembro que nesse período aconteceram os primeiros festivais de rock na quadra do antigo Cursão na Avenida Frei Serafim, onde hoje funciona o Paulo VI. Em um desses festivais apresentaram-se as seguintes bandas: Wargark, Eletric Lady, Start e M-16 que tinha como vocalista Machado Junior. Ainda, neste mesmo ano, mais ou menos, aconteceu outro show na quadra da ETFPI hoje (IFPI) com bandas menos conhecidas . Estas financiaram seu próprio show visto a precariedade dos instrumentos utilizados pelas bandas. Tudo foi feito com muito idealismo, amor ao rock por parte daqueles integrantes.

Vênus em Luiz Correia (Parnaíba).

Era o começo de tudo em Teresina, não esqueço também de um programa de rádio na difusora com o Motinha, um cara da zona Sul, amigo do Rivelino o (Crente) essa cara é meu amigo e de Mike Soares, ele me levou para a rádio, o programa era apresentado nas noites de sábado, se não me falha a memória o nome do programa era Rock Alternativo. Pela primeira vez ouvi Wagark na programação, depois levei alguns disco pra serem divulgados nesse programa. Naqueles anos tocavam Centúrias, salário Mínimo, Stress e outros, esse horário era pago pelos patrocinadores.

Megahertz em 1989. Circo da Cultura, Festival Overthrash

Mais tarde, ainda na década de 80 foram organizados outros shows na quadra do colégio Diocesano.Com as bandas Wagark, Pleroma e outras. Lembro-me da amizade que existia entre a rapaziada, e lá fora aguardando o festival havia uma turma com um carro , com o som ligado rolando Black Sabbath e várias pessoas perto desse som se divertindo ao ritmo frenético do rock. Lembro ainda do primeiro Setembro rock no centro de Artesanato com Wagark, Vênus, e outras bandas que tocaram nessa noite como. Lembro que a banda Vênus nessa época tocava com Kleber nos vocais, um cara muito bom, que depois é substituído por Joãozinho, vocalista melhor ainda , muito afinado, conseguia uns agudos que lembrava Robert Plant e Ian Gillan no auge dos anos 70 em sua respectivas bandas. O show da central de artesanato alcançou um bom publico para época.

Megahertz . Festival Overthrash

Os encontros naquela época com a rapaziada roqueira aconteciam na praça Pedro II na banca do Mariano, (irmão de Assis Machado), do Óbtus, ainda hoje existe essa banca na Pedro II na calçada próximo aos correios, hoje trabalha outro irmão de Assis. Era nesta banca que aconteciam as trocas de zines, demo-tapes e informações que chegavam pelos correios do sudeste brasileiro. Lembro-me das primeiras revistas a serem vendidas nas bancas ´´a Metal,e a Roll, ´´e outras bem volumosas tipo livros, como uma revista da som três, falando de datas e lançamentos de Rock no Brasil e Europa ,ainda hoje tenho uma em meu acervo.

Megahertz . Festival Overthrash

Todo seu conteúdo foi bem pesquisado por gente que conhecia muito, com relação a rock, lançamentos e biografias de grandes bandas e de outras não muito conhecidas. Os roqueiros mais underground mesmo já gostavam dos fanzines, da Rock Brigade ,de São Paulo que já tinha alguns assinantes aqui em Teresina. Essa ultima publicação também era underground e ainda não era vendida em bancas daqui.

Mike Soares, Adail e Plant e um outro que não dá para identificar

Nos anos 80, ás vezes a Vênus tocava na feirinha da Praça Saraiva ,também aconteceram outras apresentações no teatro 4 de Setembro, shows memoráveis, aqueles headbangers que não conseguiam entrar, ficavam lá fora com um som do tipo daqueles toca fitas antigos e grandes, ouvindo Dorsal e Sepultura. Entre 1984 e 1985 outra novidade em Teresina foi a implantação do segundo canal de TV, a Bandeirantes, que apresentava um programa intitulado , Super Special apresentado por Serginho Café, ás 13:00 diariamente de segunda a sexta. Além de músicas pops e dançantes, mostrava um bloco de Heavy Metal e sempre rolava Scorpions, Iro Maiden, Accept e etc. Esta época também é marcada pelo surgimento da banda Megahertz e a rapaziada já antenada com outros sons que rolavam na Europa e Brasil afora. As bandas de destaque naquele momento eram Thrash-Metal, bandas como Metálica, Exodus, Possessed, Artillery e outras.

Megahertz no Boca da Noite

Em 1986 o que marcará para sempre a juventude daquela época foi o lançamento do disco da Vênus no Setembro Rock no Verdão com Chave do Sol de São Paulo, Dever de Classe da Bahia. Festival muito bom, pois percebi que a performance da banda Vênus demonstrou muita evolução no palco, um bom som, a coisa já estava começando a se profissionalizar as letras das músicas eram ricas em metáforas, pois percebia-se que temiam a censura visto que falavam de racismo, ecologia, filosofia, sendo muito ousadas e inteligentes para época.

Primeira formação do Demolidor
Euclides, Ronaldo, Gilvan e Djalma(In Memorian)

Este ano foi marcante porque pela primeira vez, os roqueiros daqui tiveram a oportunidade de ver e ouvir uma banda paulista em Teresina. Porque falo isso? Porque tudo era um aprendizado na prática e essas trocas de informações com os roqueiros do sudeste eram muito importantes para nós. Esse festival mexeu muito com o pessoal daqui, porque passamos vários dias, meses comentando sobre esse show. Outra observação que destaco é que para esse festival se realizar de acordo com Emanuel, os músicos tiveram que pedir autorização da polícia federal.

Divulgação na imprensa local do show da Banda Demolidor no Matadouro

Em 1987 o que marcou os Headbangers de Teresina foi o sucesso da banda Megahertz com seu som novo, tudo novidade naquela época por aqui, pois no Brasil só quem estava fazendo um som tão agressivo e com tanta velocidade e peso eram as bandas do Sudeste como o Sepultura, Vulcano, Dorsal Atlântica. A revista Rock Brigade e outros fanzines nacionais comentaram muito suas duas demo-tapes, adrenalina total e sangria, naquele tempo Megahertz contava com Conan nos vocais, Erisvaldo na guitarra solo, kasbafy na guitarra, Claudio Hammer na bateria, William no baixo, outro integrante importante foi o baterista Moisés no início da formação da banda, além dessa revista outras do mesmo ramo teceram comentários elogiosos. As músicas de destaque da banda eram Metal Letal, Mr. Lorpa, total-Antiposer, Bíblia Metálica e outras que jamais esqueceremos.

Demolidor: Anchieta, Zenon e Adail

Em 1987 aconteceu outro Setembro rock no Centro de Artesanato, com Megahertz, Ácido do Maranhão, Vodu e Viper de São Paulo e Dorsal Atlântica do Rio de Janeiro. Um dos maiores e melhores que já assisti, eram tempos em que aos finais de semana após os ensaios das bandas passávamos o restante da madrugada ouvindo os vinis e fitas k-7 ,com os amigos e bebendo muito vinho, outros tomavam Velho Barreiro e cia e haja tira gosto e feijoada, quitute e o caralho para matar a fome daquele povo. No dia desse Setembro Rock de 1987, os bangers se reuniram desde a manhã daquele dia, aguardando a hora do festival com muita ansiedade e expectativa. Pois era coisa rara naqueles anos três grandes bandas do underground brasileiro juntas com bandas locais aqui. Não esquecendo que esse festival atraia pessoas de Fortaleza e São Luis.

Demo tape da banda Demolidor . Desenho de Fernando Torres

Neste mesmo ano surgiram outros festivais em Fortaleza e São Luis, lembro-me de um show no Cassino Maranhense, com Vênus, Megahertz e Ácido de São Luis, nesse show Vênus não tocou, ouve algum problema burocrático, não sei se foi o som ou outros problemas. O certo é que quando viajávamos pra acompanhar os shows do Megahertz tocando em outras capitais e sendo aplaudido por outros públicos gostávamos e curtíamos muito, pelo fato de fazer novas amizades e trocar informações e experiências com outros músicos e apreciadores da música pesada.

Carlos Bathory, Mario César, Sandro Mayhem, Zenon

Nessa época aconteceram mais dois shows em Fortaleza do Megahertz antes e depois do shows muita praia e a cerveja era a bebida da hora, mas tinha outros que tomavam coisas mais pesadas, como vodka, dreer e 51 e o caralho a 4, com cobras e todos os bichos misturados, coisa de banger underground, ainda hoje eu tenho contatos com os amigos daquela época. O trabalho destas bandas marcaram época, pois o som que Megahertz, Vênus, Avalon e outras bandas realizaram nunca deixaram a desejar a outras bandas de outros estados mais desenvolvidos na área musical, pois o som feito aqui estava a frente de muitas coisas, também as bandas daqui não tinham que provar nada para ninguém faziam o som por puro prazer e amor ao metal, se igualando ao que rolava no sudeste, sul e centro este brasileiro.

Leo, Zenon e Adail

Entre 1987-88 a banda Megahertz viaja para São Paulo, onde faz shows em Amparo e outras cidades. Nesse tempo eram um quarteto com Conan nos vocais, Kasbafy na guitarra, William no baixo e Gilvan na bateria. O som estava mais rápido e agressivo, quando voltaram de São Paulo fizeram um grande show no Teatro 4 de Setembro tocando musicas como Assassin, Neurose de Guerra e gravaram uma Demo tape o vivo que repercutiu muito em Teresina e Brasil afora. Neste show havia um louco gritando com uma arma de brinquedo na mão, algumas pessoas acharam que a arma era de verdade, daí ocorreu um princípio de tumulto e por isso passaram-se anos sem haver shows de metal na nossa principal casa de espetáculo da época.

Grito Absurdo, no Teatro do Matadouro(antigo Teatro do Boi)

O Megahertz teve outras formações com Fábio ex Grito Absurdo no baixo, depois Flávio também no baixo, teve ainda Jeff nos vocais. Poucos meses depois entra Mike Soares na outra guitarra. Willian sai da banda para ir para a banda Avalon, em seu lugar entra Edvan (professor de língua inglesa e grande músico) ocorrendo um amadurecimento musical trazendo novas influências e a banda continuou crescendo. Com os integrantes Mike e Edvan gravam a Demo tape Tecnodeath, que dará nome ao futuro projeto da banda, junto com outra banda que surgiu em 1987.

Verme-noise, no Teatro do Boi

A banda Avalon formada pelos exs- Vênus, Thyrso Neto e Iko Almendra , completando com Willian Rodsam , Maurício Barros gravam a primeira Demo tape muito boa por excelência. A primeira Demo tape foi gravada com Fausto Torres no baixo, mas tiveram outra formação com Eduardo no vocal e depois outro cara cabeludo loiro, acho que era Joe , não lembro se houve show com essa formação, acho que ficaram somente nos ensaios. A primeira Demo tape teve uma boa repercussão entre os bangers , com destaque as músicas, Fantoches e haadbangers.

Headbangers com Carlos Vandalo Setembro Rock 1987

O sucesso da banda Avalon veio mesmo com Insane Evolution sua segunda demo-tape, muito boa e com uma mistura de sons muito criativa e inusitada, o erudito com metal ,que junto com Megahertz chamaram a atenção da Cogumelo Records, um dos maiores selos da música underground no Brasil. Esta mesma gravadora musical lançou Sepultura, Overdose, Sarcófago e outras importantes bandas da nova cena metálica brasileira e lançaram também o Split, Megahertz e Avalon, bandas tão conhecidas entre os piauienses e nordestinos quiçá mundo afora. Além do som musical dessas bandas serem excelentes, as capas dos vinis retratavam muito bem a temática das letras e todo o contexto da época. Nesses mesmos anos lembro que foi uma euforia muito grande por parte dos amantes da musica pesada em Teresina. Todos estavam animados e satisfeitos por esse reconhecimento da qualidade da música feito aqui, porque todos sabiam que era de boa qualidade. Todos os fãs e amigos comentavam que já era tempo de Megahertz e Avalon terem gravado um disco, desde as primeiras demo- tapes.

Setembro Rock, 1987 pela manhã na montagem do palco
Central de Artesanato Mestre Dezinho

Depois de um bom período, as duas bandas Megahertz e Avalon fazem vários shows em Teresina e em outros estados, tive a oportunidade de acompanhar a Banda Avalon em um show em Fortaleza, com uma turma muito grande e com a participação de Beowulf e Obskure, fato esse ocorrido em 1989.O show foi inesquecível e com um bom público.

Dorsal Atlântica 1987 no Setembro Rock

Já em Teresina rolou os shows do Salão de Humor, esses shows tinham um bom publico, desde os primeiros salões até o final dos anos 80, as apresentações eram excelentes e se percebia nas expressões de alegria e agitação do público. Nesta época passaram por aqui os melhores cartunistas brasileiros como Ziraldo, Chico e Paulo Caruso, no final dos anos 90 e meados dos anos 2000 aconteceram outras importantes apresentações. Outro festival importante que aconteceu foi Overtrhash, em 89, com Megahertz , Avalon, Dna do Pará e Flamea do Distrito Federal, esse show foi algo inesquecível, depois rolou o rock no Velho Monge no outro dia, e outros festivais no teatro do Matadouro e outros locais.

Avalon

O Megahertz tocou em outros importantes festivais como o Forcaos em Fortaleza, Porão do Rock em Brasilia e Voltaram novamente a São Paulo. Aproximadamente entre 1989 e 1990, por aí, Thyrso e Iko apresentavam um programa na rádio Antares, chegaram a fazer um show no pátio da TV, meu amigo Emanuel me falou que alguém tem essas imagens. Logo depois Cesar Filho apresenta um programa na Cidade Verde FM chamado Ultra leve com muito metal e tocando os lançamentos da Cogumelo e outros selos.

Megahertz - Piramidal Power

Em 1990 o grupo Avalon parte para São Paulo, Iko e William, Maurício segue depois, mas passa poucos meses e retorna a Teresina. Lá em Sampa entram dois novos integrantes, para guitarra e bateria ,pois Thyrso não foi a São Paulo. A banda grava dois discos em São Paulo, o bom OLd Phishycothic Eyes e depois Incógnito, esse último além do vinil saiu também em CD. O grupo fez shows em São Paulo , no interior da capital paulista, outros estados e até na Argentina obtendo uma repercussão notória.

Avalon

Assisti alguns vídeos dessa época em Sampa e faço aqui uma observação ,além do sucesso da banda Avalon não posso esquecer que o Megahertz ainda lançaria em 1993 pela Whiplash Records o ep Rehearsal Tapes com Mike Soares nos vocais, depois alguns singles com Bernardo nos vocais, Marcelo Leonardo no Baixo, Claudio Hammer de volta a bateria. Já nos anos 2000 com Nixon nos vocais gravam e lançam um CD intitulado Pyramidal Power (que saiu pela lei A.Tito Filho)ainda passou pela banda Maurício Barros na bateria, após a segunda saída de Claudio Hammer. O Megahertz atualmente prepara várias novidades para o público underground gravando novo CD que promete muito e espero que tenham boa aceitação por parte dos amantes do metal , pois é feito por gente que gosta muito do que faz, já vi e ouvi os ensaios e os shows e garanto que esses cds repercutirão muito para público underground.

Scud
Fawster Telles, Marcelo Allelaf, Joe Ferry e Maurício Barros

Entre os anos de 1986 e 1987 surgiram outras bandas como grito absurdo formada por Jorjão, Fábio e Rauderflan que faziam um rock punk mais pra hardcore com letras e pegadas excelentes. Esta banda gravou uma demo-tape muito bacana e fizeram dois shows no Teatro 4 de setembro, musicando alguns poemas de Fernando Pessoa. O Demolidor grupo formado no Saci, zona Sul de Teresina (esse bairro tem muitas histórias) com intensão de fazer Death-metal. A formação inicial era composta por Mário Cesar no baixo, Ronaldo na guitarra, Euclides nos vocais e Gilvan na bateria, depois entra Djalma(obs: que morreu muito jovem) e Gilvan vai pra o Megahertz e eu Zenon C. D, entro na banda em 1988 ,ajudei na reformulação de toda a estrutura de som e criação de novas composições. Depois sai Euclides e entra Carlos Bathory um excelente vocalista com o timbre parecido com o do Korg , Chakal e The Mist de Belo Horizonte.

Scud - Shout (EP)

Gravamos algumas Demos ensaio e depois de muitas formações iniciais, ensaiávamos no mesmo local do Megahertz, tivemos um apoio muito grande de Kasbafy , Myke,Edvan e todos dessa banda , o local era no edifício Paulo VI, antigo cursão. Depois ensaiamos juntos com Verme-Noise na casa de Bernardo e em outros locais, a formação nesta época era com Fawster Telles, Adail Assunção, Juliano e Alex, gravamos a Demo-tape no Poluition em 1994, tendo uma boa repercussão em nosso país e em outros países. Com essa segunda formação o Demolidor tocou em campina grande (PB), com uma ótima recepção de público, este show foi um dos mais legais e inesquecível que já participei. Quando retornamos a Teresina fizemos alguns festivais no matadouro com Farehnreith, Auchwitz de Natal, Verme-Noise de Teresina e Crhisthfaith(que depois se chamará Scud) de Marcelo Alelaf e Cia. Essa banda Verme-Noise era composta pelos meus amigos Chakal, Vidal, Ricardo Molão e Bernardo que tocavam hardcore dos bons, (o Bernardo, como muitos da música pesada sabem, partiu muito cedo daqui e sua morte ainda hoje continua sendo um mistério para muitos, uma grande perda). Nesses anos organizamos, eu e Fawster, O Extreme Morbid Festival no Teatro do Matadouro, onde tocaram Beowulf e Insanity de Fortaleza, outros festivais aconteceram no São João numa danceteria com Verme-Noise e Demolidor, não podemos esquecer de Sandro David, Anchieta, Leo, Jesse James, Chakal, Nelson, Sanatiel, Roberto, Delbar, Lucas, Jalson e outros que passaram por essa banda, nossas influências maiores na época eram as bandas Sarcófago, Napalm Death, Incubus, Sodom, Genocídio e outras.

Avalon ensaiando

Outro detalhe que não se pode esquecer, é que as bandas, além de músicos, o pessoal cuidava de todo merchandising da banda, fazendo artes para camisetas patches, botons, adesivos, muitos músicos dominavam artes visuais e trabalhavam nas criações das capas das Demo-tapes, tudo aprendido aos trancos e barrancos coisa de quem passou a infância e adolescência vendo desenho animado e lendo muitos HQS. No inicio dos anos de 1990, os ensaios das bandas Demolidor e Inexperience do nosso amigo guitarrista e Luthier Galvão aconteciam em sua residência, que tinha uma área enorme na Homero Castelo Branco. O Galvão além dessa banda tocava em outra onde fazia covers de Guns Roses. A casa do Galvão era um ponto de encontro de vários músicos, tanto dos iniciantes como os que já eram profissionais. Lembro dos seguintes amigos Lino Alencar, Fernando que tocou na banda Prós e Contra, um grande guitarrista, Mikelson ex guitarrista das bandas Vênus, Prós e Contra e Equinócio e Edvaldo Nascimento, outro grande músico, hoje é odontólogo. Hoje o Galvão reside na Piçarreira , é um grande Luthier.

Megahertz( William, Conan,Claudio Hammer, Kasbafy e Erisvaldo)

Na década de 1990 também surgiram novos músicos como Elladio Jardas e Ellain Jarlon dois irmão que eram meus vizinhos, e bem jovens tocaram com Galvão e outros do rock Mafrensino. É importante salientar que todas essa bandas se mantinham do seu autofinanciamento da grana dos seus integrantes e da família, pagávamos para produzir nossa diversão e difundir cultura em nossa cidade, papel do poder público( pensávamos assim, as bandas faziam sua parte e o poder público nada), as leis de incentivo a cultura não patrocinavam o rock , embora este estilo musical era o que dava mais visibilidade para Teresina, mas os gestores não o viam assim . Existiam as leis de cultura federal também, mas nunca olharam para o rock, as coisas eram sempre mais difíceis para nossa turma, mas não pensávamos sobre isso porque nos divertíamos muito fazendo o que gostávamos, e as coisas aconteciam do jeito que desejávamos. Em arte, música se você pensar muito em dinheiro não faz. A música é universal é uma linguagem que expressa prazer e emoção não escolhendo nacionalidade. Quando falo em rock piauiense é por força de expressão e costumes tupiniquins, pois a música pesada feita aqui é tão boa quanto a de qualquer parte do mundo. Com relação a instrumentos musicais e equipamentos era a maior dificuldade para se adquirir uma boa guitarra, baixo, amplificador, pedal e outros. Aqui em Teresina não tinha lojas especializadas, quando aparecia um instrumento melhor, o preço era altíssimo e fora da nossa realidade. Alguns anos depois, final dos anos noventa, precisamente em 2000, é que surgem várias lojas especializadas nesta área porque a cidade cresceu e o mercado da música se expandiu, hoje se encontra fender, ibanez, Jackson e outros instrumentos importados com preços mais acessíveis. Graças a Deus e aos nossos esforços, a situação também melhorou para nós.

Headbangers na escadaria da igreja São Benedito
Final dos anos 80 e início dos anos 90.

Outros shows começaram a rolar no Noé Mendes na UFPI, onde tive a oportunidade de assistir pela primeira vez Paul Diánno, ex- Iron Maiden e depois a banda alemã Destruction , isso aconteceu em 2000. Nesta época surgiram muitas bandas boas e autorais, além de covers como Prowler e outras. Retornando aos anos de 1990, destaco bandas que surgiram nesse período Scud, Monasterium (Innocent Rise ), Zorates (Vergasta), depois Anno Zero(Another Pleasent evening em CD), Dark Season(CD Valley of Desecration), Káfila do meu amigo Fernando Castelo Branco e o Sandro Saldanha, o guitarrista era Rubens depois dele o próximo foi Pádua Bello, um excelente guitarrista de banda Hardcore e com influencias Punk Rock, nessa época gravaram um CD, Demo , acho que só tinha o nome da banda na capa, lembro do logotipo que era amarelo com azul e depois lançaram um CD oficial Playground e outras bandas que citarei depois.

Anos 80 na prainha, Rock no velho monge

A banda Scud gravou um EP com Shout e Bean if Rice, repercutindo muito na época sendo tocado no programa Rádio Rock da antena 10 , que era apresentado pelo Fred Nóia, mas antes gravaram Demo-tape , Lampião com o Thyrso Neto(o mesmo Thyrso Marechal conhecido do público roqueiro) depois gravaram um single já com outra formação com nove músicas com Joe Ferry na outra guitarra, Fawster Telles no baixo (Lampião hoje está disponível em CD) e é um clássico do metal piauiense. No ano de 2000 a banda Scud lança o primeiro CD oficial, já residindo Parnaíba Piauí e com nova formação.

Banda Vermenoise no centro de Teresina

Eu não posso esquecer de algumas bandas que só fizeram uma apresentação e outras que só ficaram nos ensaios como Decaptor , primeira banda de Mike Soares, Marcos Badú, Gilson e Galvão Junior, Grennwitch, Alexandre Rebelo, Marcílio Rego e outros , essa banda surgiu depois que o Farenheit acabou. O Farenheit era formado por Fawster Telles vocal e guitarra, Alexandre Rebelo também na guitarra, Marcílio Rego na bateria e Anchieta no baixo, faziam um Deathrash de excelente qualidade, gravaram Demo-tape e tem um show gravado no teatro do Matadouro. Emanuel Magão também teve uma banda que só ficou nos ensaios, Casus Belli, outra de Galvão e Regis, Putrefy de Beto e Carlos ex Demolidor lá do Dirceu. teve ainda Metânica de uns caras da Ilhota, Menthoria de Jorjão, Paulo Regis e Afrânio. Epidermic de Egmirton, ( Mirton de Paula ),Vein(Candido Viana), Hienas Melancólicas, Antes do fim, Salém ,Sarcoma e outras.

Avalon 1° formação (Iko, Thirso, Maurício Barros e Fausto Torres)

Retornando aos anos 90 que foram marcantes para o rock piauiense e também porque são os anos em que vivenciei muitas atividades dentro do cenário roqueiro. Eu junto com Vilmar Assunção, já falecido, ele era artista visual, publicitário, poeta e um dos amigos mais maravilhosos que eu já tive, esse cara era um irmão, mas graças aos gods, nesses anos todos construímos uma boa relação com muitos amigos legais do meio musical, isso é o que comentamos quando eu e meus amigos daquela época nos encontramos.

Tivemos uma lojinha na Felix Pacheco por trás do Centro de Artesanato, lá eu e meus amigos trabalhávamos com serigrafia e vendíamos discos novos e outras coisas. Era uma época efervescente de ideias. O Vilmar era irmão de Adail Assunção, a loja era chamada Typos Som, antes dessa loja existiu a Musical Shelter de Landerson e Cláudio, logo depois a Bebop de André Luiz, em seguida a La Belle de Jeff. Depois o Bernardo monta um loja com Nelson Ned, a War Pigs, que vendia CDs, camisetas e fazia tatoo, e logo irá surgi a Moral que vende CDs, camisetas e fazem tatoo, a Antro do Rock e a Chimpanzé de Juliano Lima, depois ele passou a loja para Emanuel e Adail, próxima ao Diocesano. Essas lojas ajudaram muito a divulgar as bandas locais e eram pontos de encontro da juventude que curtia a musica pesada, além de ajudarem muito na produção e divulgação do shows. De vez em quando apareciam pessoas de outros municípios do Piauí Maranhão e roqueiros de outros estados mais distantes visitando Teresina e isso fortalecia o intercâmbio entre os músicos pois sempre traziam novidades do mundo metálico.

Megahertz com Bernardo no vocal no programa Sábado Show com Maia Veloso.

Depois de um tempo o centro da cidade é tomado por uma quantidade enorme de bancas de camelôs, é nesse momento que surge a banca do Oséas, que já trabalha com cópias e pirataria nos tempos do vinis não existia isso, (queria ver piratearem vinil aqui), depois surge a atual loja de metal do Shopping da Cidade com uma variedade de sons da música undergroud.

Nos anos 90 alguns bares e casa de shows foram importantes para o movimento roqueiro no Piauí como :Zeus antigo casarão no centro próximo ao SESC Avenida Maranhão, Elis Regina na David Caldas, do nosso amigo João Vasconcelos, nesse barzinho aconteceram muitos shows nos anos 90. Boemia do Rodrigo que começou no centro e depois mudou para a Avenida Senador Candido Ferraz nos Orixás, Raízes ,bar perto da UFPI ( hoje Tenda Alternativa),Full Rock próximo ao Atlantic City, Circo da Cultura no Bairro de Fátima, Terceira Via na Morada do Sol (casa de forró pé de serra, mas abriu espaço para o rock),Yoo Clube no Jockey e o bar Beco no centro, este foi o primeiro bar a ter antena parabólica com tv a cabo, lá nos reuníamos para assistir programa de metal. Outros shows importantes foram os que aconteceram nos Cabos e Soldados com The Mist, depois as bandas locais Monasterium, Fimose, Demolidor, Carniça, Verme-Noise,Sangue del Diablo, se apresentaram no Elis Regina e tantas outras bandas que tocaram naquele local. O Barrocão na José dos Santos e Silva, Encena na Campos Sales, Gren Bar perto da UFPI, Simples Bar, este bar era do músico Naeno próximo ao Riverside, onde tocou a banda de Joe Ferry, Black Mass, Jolly Joker e outras bandas locais.

Obtus

Claudio Hammer também teve um bar no bairro de Fátima, o Kasbafy também teve o seu bar, Diversão e Arte na zona leste. Naquela época além dos shows em bares, aconteceram outros nos finais de tarde na Potycabana.

No período entre 1991 a 1996 o movimento deu uma caída, algumas bandas pararam suas atividades, outras chegaram ao final, foi uma fase muito ruim para as bandas locais que faziam música pesada, pois os shows diminuíram ,os espaços estavam bem escassos para as apresentações. No final desse período surge Óbtus fazendo um Hardcore muito rápido agressivo com influências muito boas e letras inteligentes, nesse período gravam o CD de estréia Sangue no Olho , e se apresentam em muitos lugares dentro e fora do Estado, estão aí até hoje, banda de Chakal, Assis, Neto, Gordo , antes era Erivelton. Em 2000 o que estava em evidência era outros modismos, e a música underground não segue isso, mesmo com as turbulências que o movimento sofreu.

Também é bom destacar que os nossos músicos estavam pensando em se aprimorarem em seus instrumentos e neste momento começaram a surgir algumas escolas de música, como o Instituto Pro-Música, no centro e depois na zona leste a escola Texto e Música, com músicos e professores que ensinavam além de teoria e prática, técnicas voltadas para Blues e Rock, Projeto Música Para Todos, e a Escola de Música de Teresina que já existia desde os finais dos anos 70.

Hoje já existem estúdios de ensaio em vários bairros, estúdios de gravação de alto nível, gravando com excelente qualidade como o Orange estúdio, há produtores musicais de bandas de outros estilos e isso ficará para um outro capítulo.

Salém

A imprensa local foi uma forte aliada do movimento roqueiro, pois mesmo com poucos recursos eu e Fawster Telles quando íamos organizar algum festival, fazíamos os cartazes tu do de forma artesanal, depois fotocopiávamos e saíamos as ruas para as colagens com uma turma boa , hoje isso não pode , pois temos o código de postura do municipio. Depois procurávamos a imprensa para uma divulgação mais ampla, fizemos isso nos shows do Matadouro e outros. Alguns jornalistas nos davam apoio como o Gilson do Meio Norte, Ana kelma Gallas jornal O Dia ,e uma prima de Joe Ferry, Angela Ferry, Natacha Maranhão, Marrie Mendes, assim como Mussoline Guedes que escreveu uma matéria de uma página sobre o Megahertz e Avalon , a banda Scud também teve uma boa divulgação da mídia impressa na época do lançamento de Shout. Deram muita força então agradecemos muito a estes jornalistas. Mariana Arraes , amiga lá do inicio dos anos 2000, e que depois se tornou uma jornalista muito atuante, e outros.

Recordo aqui que nos dias que antecederam o lançamento do disco da Vênus em 1986, a TV pioneira Hoje “TV cidade Verde “ fez uma boa matéria sobre essa banda piauiense. Maia Veloso também contribuiu muito na divulgação de alguns shows, na época ela tinha um programa na TV, Sábado Show. O que analiso com estes exemplos é que todas as capitais tem seus grandes jornais e seu dever é divulgar os artistas da terra, pois se pegarmos os cadernos de cultura de Fortaleza, São Paulo, todos dão amplo espaço para música o teatro e as artes em geral.

Edvaldo Nascimento, um dos caras precursores do rock piauiense.

Irei destacar agora alguns personagens folclóricos do underground piauiense, como Muzé Waters, apelido que o Iko deu ao Muzé, Gerônimo, (Mumm ra) da zona sul ex aluno da ETFPI, Quirino, Ronaldo Crazy, dizem que hoje é evangélico, Robin, Edson Metralha, Marcos ´´Bruxa´´ Cordeiro, Chiquinho, hoje um homem de Deus, esse é meu amigo e gosto muito desse cara. Eli do Mocambinho outro que converteu-se a senhor, Charlie Brown,´´Pedro Alcântara´´, Carlinhos Motoqueiro Tchoke, esse é hippie velho, Baicú, Bio, Leo Punk, Marcelo Punkin, Orlando Charuman(in memorian), Saruê. Tinha uns caras que deixavam de ouvir sons influenciados por ideias de terceiros ou por fraqueza mental e queimavam todos os seus discos, isso eu ouvir dizer algumas vezes, são muitos nomes irei fazer um bom exercício para lembrar da maioria.

Existiam outros roqueiros que organizavam fã clubes antes dos zines, como o Piauí Rock Collection, Alexandre Castro e Petrônio Fla, alguns que se auto denominavam por se identificarem com seus bairros de origem ou por auto afirmação, é o caso do Mocambinhos Bangers, formado por uma turma desse bairro e vizinhos, Haroldo e Cia, a banda Avalon ensaiava lá. E de vez em quando aparecia por aqui uns malucos de fora, teve uma época que apareceu um molequinho pequeno, metido a punk lá de Belém(PA) seu apelido era Capiroto “poderia ser mesmo o cão” e pelo o que constatei estava dando um tempo por aqui, aprontou uma por lá, depois dele apareceu um cabeludo, paraense também esse cara passou um tempão no Dirceu na casa do Nena e depois na casa do Beto , a rapaziada chamava-o de endiabrado(o Beto tinha uma voz rssrs). Além de alguns carinhas mais pirados tinham uns jovens no meio daqueles que eram meus amigos e tinham outros objetivos na vida, ouviam muito som, mas nunca esqueceram de estudar, trabalhar e pensar num futuro melhor e o lado positivo de tudo isso é que hoje temos alguns que se tornaram grandes músicos, outros artistas visuais, escultores, artesãos, historiadores, professores, filósofos, arquitetos, engenheiros, sociólogos, jornalistas, médicos, advogados e uma infinidades de profissões, porque falo isso? Não é por nenhum ressentimento da época não, mas hoje temos uma outra visão sobre muitas coisas que aconteceram naqueles anos, a sociedade como falei lá no inicio do texto era muito provinciana e atrasada com relação ao rock e não entendiam nada sobre o quê estávamos fazendo, nos criticavam por não entenderem o contexto ou que estávamos pensando sobre o mundo e as transformações que ocorriam em nosso país, a abertura política. Éramos de uma época que liamos muito e nos informávamos, todos nós ainda tínhamos medo ou receio da repressão (a polícia olhava com desconfiança para o pessoal do rock) e também rolava muita rebeldia porque até o final dos anos de 1980 não se tinha a liberdade que temos hoje, (a Teresina de hoje é um pouco assustadora) e imaginem só naquela época os cabeludos andando de roupa preta no centro, calça jeans com rasgos nos joelhos com desenhos de caveiras e outros símbolos feito a mão. Algumas pessoas quando nos viam atravessavam para o outro lado da rua sem falar nos baculejos que eram constantes nos mais exagerados no visual e atitudes, não tidas como normais para a época e os play-boys que não gostavam de metal tinham medo da gente e nos olhavam desconfiados (tenho uma frase que foi muito falada no Brock, roqueiro brasileiro tem cara de bandido, quem falou isso, dizem que foi Rita Lee ).

A coisa mudou muito e para melhor no shows seguintes, começaram a surgir as caçadoras de cabeludos, (meninas que iam para shows atrás de cabeludos) isso é outra história ,e quem me contou foram os caras mais Old school, True, Death, Doom, Black Metal, os mais Fuckers de Teresina porque hoje tem muito play boy que não ouve nada de rock, mas usa cabelos grandes, brincos, piercings e etc . Muito visual e nada na cabeça, nos tempos de maior radicalismo dos Bangers daqui, isso era inaceitável e as vezes o pau rolava. Quando íamos aos shows, as mulheres que estavam presentes eram amigas, namoradas ou esposas dos caras das bandas, você contava nos dedos as mulheres que apareciam nos shows, talvez os Trues tenham razão ou não, mas aqui não iremos fazer juízo de valor, essa fase já superamos, somos hippies velhos.

Hoje quando vamos ao Bueiro do Rock ou a qualquer outro lugar a cena é outra, está muito melhor com a presença de muitas mulheres lindas. O bom de tudo isso é que essas meninas de hoje gostam muito de som. Chegamos até discordar da clássica frase de Vinicius de Morais, “as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”feia ou bonita , isso são detalhes, não sabemos os outros, mas para nós das antigas, achamos que quanto mais mulheres no metal, será melhor, pois ela tem o poder de encantar com a sedução tornando os shows mais bonitos. rs.

Já nos anos de 2000, como eu havia comentado antes, diminui as saídas para shows, por motivos relativos á trabalho, estudo, somente o Emanuel continuou defendendo na trincheira o metal, com outros amigos e sempre mantivemos contato. O Adail continuou tocando no Demolidor depois no Zorates, banda muito boa formada por Fawster Telles e nessa época surgem novas bandas, assim como outros locais de shows. Antes o Noé Mendes na UFPI era o point do momento local onde presenciei grandes públicos e muitas apresentações de bandas daqui e de fora se apresentaram ali no inicio do ano 2000 até 2008.

A música daqui hoje é vista com outros olhos, temos uma peculiaridade que poucas capitais brasileiras tem ,por ser uma capital roqueira e ter um universo musical muito diverso, isso eu continuarei em outro texto falando sobre bandas Pops de Teresina. Destacando a imaginação e a criatividade destas para mesclarem e fundir diversos ritmos atraindo um público seleto. É nesse período que surgem grandes festivais como Teresina é Pop para comemorar o aniversário de Teresina, o Piauí Pop e Teresina capital do Rock. Em Teresina tem shows para todos os gostos e públicos, mas não é por preconceito ,não falarei de outros estilos, visto que o objetivo aqui é falar do rock.

Terra Podre . CD Demo

Relembrando essa época não posso esquecer de outras bandas que foram importantes embora algumas tiveram curta ou longa duração e aproveito para lembrar de outros amigos e amigas que andavam no movimento roqueiro e contribuíram para sua existência e desenvolvimento. Agradecemos muito e com respeito a Equinócio,Edvaldo Nascimento, André Luiz, Durvalino, Anarcóticos, Azinus, Dissidentes,Nojo de Tudo,Fimose, Terra Podre, Psycobitch, Empty Grace, Morbydia, Retalhador, Dupla Face e Scrok, de Timon, mas muito atuantes em Teresina,Sni,Duna,Disgraça Maldita,Dark Season, Metal Reunion, Neustan, Homicide, Hévora, Stygma,Os caveiras, Bad Name, Bode Preto, Mortaltrhash, e mais. Não posso esquecer algumas famílias que foram de fundamental importância para o movimento, como a família Torres, Fausto, Fernando, Moisés e Suzana Torres, tia Célia e família, Rogério e Mike Soares, Família e Marcos Cachorrão,Ibsen e família,Emanuel Magão e família,Galvão Junior ,Alex Galvão e família quintal de muitas peripécias,Marcos Badú e família,Wilsinho,Vidal Neto e família,Dona Andreina ,mãe de Fawster e Falber Teles, Euclides, Mário César, Gilvan, Ronaldo, Tchoose, famílias do Saci, Patrícia Raposo e Francisco Dourado, Assis Machado, Juliet Nogueira e família, Chakal Pedreira e família, Ricardo,Roberto, Rubens e família Briseno, Bernardo, Djalma, Anfrisio, e outros que não lembro in memoriam, forças e saudades de suas famílias e amigos ,Jean Gordo e família, Kelson Coutinho e família, Delbar, Schnneider Brito, Junior, Franz e família, Leitão.Anchieta e família, Marcos, André, Fernando e família, Kasbafy, Mira e familia, Marcelo, Ian, Nixon e família, Iko Almendra, Thyrso Marechal, Pincel, Kinha e famílias, Edvan, Mauricio Barros,Marcelo Alelaf,Germana Alelaf e família,Joe Ferry e famila, Adail e família Amâncio Assunção(in memoriam de dona Maria),Emanuel Candido e família Pinheiro,(in memoriam dona Regina) Dona Isaura, seu Bernardo in memoriam e Família, Silvanildes, Silvanete,Silvia, Eugenia, Charles, Nira, Ernaldo, Luana, Lucas, Evangeline, Martins Junior, e todos dessa família maravilhosa, Meus pais Julieta Camelo Aguiar Deolindo e´´Benedito Antonio Deolindo ´´(in memoriam) aos nossos irmãos , sobrinhos, avós e avôs (in memoriam),primos, tios, a Lulu, Vinicius, André Fernando, Alex, Rebeca, Pedrinho, Felipe e muitas crianças do nosso bairro que se divertiam conosco, talvez por não nos enquadrarmos nos estereótipos que a sociedade cria, também estávamos pouco nos lixando para o que a sociedade pensava a nosso respeito. Marcilio Cabelo, Marcos e família, Éderson Rock , Rogério deathrash, Flávio Nordestino, Valcy Cavalcante, Alexsandro, Adriano batera, Oswaldo Martins, Evaldo Conan, Nena, Tuica, in memoriam ,Madalena in memoriam, Clóvis Rock, Kiko Dickinson, David Mazuad, Juliano Sousa, Batista, figura do Rock,Juliano Lima,Eduardo Neves, Eduardo Dark Season, Adriano, Félix Briano, Alex, Geraldo, Josh, André Melo, Léo, Walter Scrok, Preto, Cláudio Hammer, Jeff, Marcelo in memoriam, Carlos José, Akerman, Sanatiel, Sena(grande artista que sumiu de There) e Wagner, Anfrisio Gaitista, Fernando Reis, Alex (Brothers Attack), Alexandre, Apollo,Walter Nunes, Dieudes, Drienio, seu Nonato e família Bueiro Do Rock, Candido Viana, Pezão, Mário, Dona Ceiça e bar( bar que ficará para sempre em nossa memória, muitas noites de cerveja e metal), Alzemir, Chiquin e familia, Naércia, Cristiane, Jardel, Daniel Dias e família, banda Siri Cascudo, Herbert Veras e família, William Rodsam e família, Alexandre Rebelo, Marcilio Rego e família, Ostiga Junior, Renato Chaves, André de Sousa, Felipe e família, pessoas maravilhosas , Marcelo e Ricardo Cacau, Ciro, Manoelzinho, Mano, Ariston , e as cachaças nas madrugadas, Solimar, Luiza, Edileusa,Cristiane,Virginia( antigas namoradas), Kamorrito das antigas, Kilito e canteiro de obras, Badu Dexavar,Silvia e sua filha, que nos encontramos recentemente no Bueiro, junto com Chakal. Fernando Conrado e Asseclas ,in memoriam, Zilton Lages e Setembro Rock, Walter e Rock no Velho Monge, Buraco do Toim e as cachaças e tira-gostos mais gostosos da P.II, Seu Pedro e a meladinha , os espetinhos de carne e queijo, in memoriam, descanse em paz meu amigo, Paulin lá no canto da P.II, ainda hoje esta´ lá com sua esposa Deusa , vendendo caipirinha e espetinhos, aquilo é a cara dos anos 80.

A Pedro II tem algo de bucólico e saudosista, todas as vezes que ando por ali a noite lembro de muitas aventuras no centro, Per Arn Johnson e estúdio Scandinavium, onde começa nossa História. Outros amigos daqueles anos ,Machado Junior, Flávio de Castro, Marcos Oliveira, Cícero Manoel, Marlon Rodner, Sandro Almeida, Joel, Márcio Bigly, Paulo Utti, Alan Vieira , Juroba, Naka, Paulo, Rubens de Figueiredo, Braga Tepi, Donald Nogueira, Arnaldo Fimus, Kelson, Airton Ramos(o doido de Piripiri, brincadeira, um cara gente fina),Henrique Douglas, Henrique Costa Andrade, Fabrício, Fábio Stéfanno, Vitor Carvalho, Tarso Aurélio, Thiago Cabral, Thiago Peixoto e outros Thiagos Guitarristas, Thiago Reis ,batera ,Alexandre Godoy, Marcos André, Ziza, Professor Evaldo Oliveira e nossas conversas no Bar da Lama,( bar underground e de Boêmios no São Cristóvão) e o Wilson irmão de Adail,que faz gostosos espetinhos e tira-gostos,Wilson Gonçalves, grande parceiro de noitadas atrás das mulheres, aos nossos amigos da UFPI, Paulo Goudinho, Cardoso, Herbert ,in memoriam, Marcos Vinicius, Segisnando, ,Fábio Crazy, Ernani Felipe,Márcia, Socorro Star, Raquel, Paulo Filho( Pece Lopes),Cleiton, Major( Duka),Stenio, Ricardo Cabelin, Clodoaldo, Natim, Dante e Demétrius Galvão, Ricardo Augusto, Marlene, Jandir, Clóvis, Nivea, Karla, Ariosto, Dedé, galera da residência Ufpi e amigos do DCE –UFPI, Movimento estudantil, em 2001, Bal, Ferreira, Vinicius, Marco Antonio, Klécio Lima, Adelino Frazão, Sérgio Retalhador, Jucélio Junior, Dionisio Brasil, Saul, Samuel,Alfredo Werney, Ravi, Braga Tepi, Heli Jean,Zé Carlos, Death Cuspe e toda rapaziada de Parnaiba , Duilio e o pessoal de Simplicio Mendes, Graziano e o pessoal de Piracuruca, Marquinhos , Nilvan e o pessoal de Picos, Ódios band, Fatinha e suas tatoos , uma das mulheres mais undergrounds de Teresina, e uma outra menina que não recordo o nome, amiga de Myke, com muitas tatuagens também que encontrei na Tenda Alternativa, menina de atitude, Lado 2 estéreo, Skate Aranha, o estudo de Pedro Jansen . Deus ex machina, trabalho de conclusão de curso,tcc em jornalismo, que trata dos anos 60 e 70, uma luz no fim do túnel do rock piauiense, esse trabalho estava em meus arquivos, mas só agora no final desse texto, tive contato com ele , um bom livro.os artistas plásticos Natim e lázaro , Walter Belo , artista e amigo de infância, Gabriel Arcanjo, e tantos outros que virão no próximo relato. Roqueiros do Cabral e Bairro dos Noivos , lazer Pinel e alguns pequenos shows, primeiras lembranças e imagens de shows ao vivo na adolescência e todos os amigos desses bairros. Amaudson Ximenes, Jolson Ximenes, Tales Groo, Segundo, Bremer, Silvio César, Jorge Albuquerque, Sidney Blackvomit, Carlos Henrique Zephirus, George Frizzo, Bruno Gabai, e os companheiros do Insanity e da SOH, de Fortaleza, pessoal de São Luis , Biné, Mauro e Ácido , Lúgurbre, Ânsia de Vômito e outros espalhados pelo Brasil e Mundo afora .São tantos nomes e famílias que é difícil lembrar todos os nomes, mais ficam alguns registros, porque cito as famílias? Porque sem a existência e o apoio das mesmas, seria muito mais difícil e as coisas se tornariam mais complicadas, poderia até acontecer a caminhada, mas de outra forma, se estamos até aqui vivos, obrigado a todas por suportarem tantas loucuras e aventuras desse mundo pesado do metal nos anos 80 , na provinciana Teresina.

Porque estou relatando esses fatos? Desde o ano passado 2012 este movimento de rock completou 30 anos, onde tudo começou e onde começaram a surgir as primeiras bandas verdadeiras de rock pesado, porque durante todos esses anos, li muitas coisas nos jornais locais, vi alguns vídeos, documentários, mas não encontrei nada de registros de bandas locais antes dos anos 80.Tem alguns amigos meus que me relataram que seus pais, tios, parentes, amigos, que tocaram em bandas da jovem guarda, etc….bandas de baile, serestas, orquestras, mais bandas de rock mesmo pesado só irão surgir de 80 em diante. Outro ponto que gostaria de destacar, conversando com amigos mais antigos sobre as influencias musicais, esses caras ouviam muito Casas das Máquinas, Terço, Peso, Made in Brazil, Tutti Fruti, Rita Lee, Mutantes, Sérgio Sampaio e os progressivos dos anos 70. Emerson Lake e Palmer, Triunvirat, Ted Nuggent, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e outros.

Vênus em Luiz Correia

Nós ainda ouvimos muito esses sons, Robertinho de Recife, Som nosso de cada dia , Mutantes e outras bandas dessa época. Nós constatamos que o caminho era esse, em 80, ou seja, onde o movimento roqueiro teve início essas influências foram fundamentais, além da bagagem da década anterior, então pegamos tudo isso somamos aos novos sons que irão surgir como: AC/DC, Accept, Judas Priest, Saxon, Motorhead, Iron Maiden ,Cirit Ungol,Demon,Black Sabbath, Deep Purple ,Helix,Wasp, Kiss ,Manowar,Cirith Ungol,Scorpions e tantas outras.

Por fim concluímos que apesar dos percalços que enfrentamos, acreditamos que uma boa parcela das pessoas envolvidas com esse estilo musical assumem uma atitude de vida e começariam tudo novamente sem arrependimentos, traumas, dores. Porque observamos que lá do inicio até nossos dias, as coisas melhoraram muito, mas ainda falta muita coisa para chegarmos a um patamar de profissionalismo. Os empresários precisam pagar melhores cachês, as bandas devem ter seu devido respeito por parte dos empresários locais, é importante que haja mais patrocínios, pois o público já reconhece o trabalho, a prova disso é a quantidade de bandas autorais que surgem, sem falarmos em outras, que optam pelo cover, gospel etc…

Aqui concluo deixando estas reminiscências sobre a trajetória do rock em Teresina, porém ainda tenho muitas histórias para contar que serão reveladas em outro relato. O objetivo é promover uma reflexão sobre o rock e juventude em Teresina e o clima oitentista, revelando algumas histórias que ouvi , outras que li, assisti etc…e afirmando com otimismo que muita coisa boa ainda virá. Quem tiver arquivos, fotos, vídeos, me envie pelo face ou por email, me ligue, porque quero falar muito sobre aqueles anos, porque foram os últimos onde se criaram muita coisa em termos de arte, música, cinema etc…Isso não é saudosismo de quem viveu aquela época, as provas estão nos livros, vídeos, documentários é só pesquisarem.

Megahertz no Circo da Cultura em 1989

Só amarrando as ideias, isso aqui não é relato de vencedores e nem perdedores, é a trajetória de vários jovens de Teresina que acreditavam e ainda acreditam na arte, na música,que feita com qualidade e responsabilidade pode mudar toda a história. Também não estou falando isso para me vangloriar de nada,somos anônimos como diz Emanuel, não precisamos de troféis e nem medalhas, até porque na arte não há espaço para estrelismos, quanto mais humilde for seu trabalho flui e ultrapassa fronteira e surge o inusitado, o inexplicável. Arte não é receita pronta, você vai fazendo e as coisas vão acontecendo. Eu faço aprendendo e aprendo fazendo.filosofia da arte. Na música underground temos que pensar além, descartando o banal, o trivial e a mesmice. As pessoas envolvidas com a música underground, sabem do que estou falando, a prova disso, foram os últimos shows em Teresina do Vulcano, Tankard e Skul Fist, Enforcer ,os caras já rodaram o mundo e tem humildade, antes e depois dos shows,de conversarem com o público, tomaram cerveja, posaram para fotos, trocaram endereços eletrônicos etc…O estrelismo ficou para grandes astros metidos a besta.