ANDRÉ CAVAIGNAC E O UNDERGROUND

Marina Cardoso | 20/05/2011
Fonte: Imperatriz Noticias
Cavaignac diz que música em inglês é chance de ampliar o público André Luís de Oliveira Cavaignac, 22, como a maioria dos músicos, começou a tocar um instrumento ainda na infância, no seu caso contrabaixo com 10,12 anos. Ele conta como é fazer música na cidade e da sua banda de death metal, Mortos. André também tem uma longa experiência organizando festivais de rock, o Metal Chaos que trouxe bandas dos EUA e México, para Imperatriz em 2009 e 2010. Nessa entrevista é mostrado outro lado da cultura Imperatrizense que é pouco divulgado, mesmo quando se fala em rock.
1. A maioria das pessoas quando ouvem uma banda de death não entendem o vocal gutural, que melhor combina (me corrija se eu estiver errada) com esse estilo que é bem agressivo. Vocês já sofreram algum tipo de preconceito? Queriam tocar num lugar e não foi possível?
Sim, já sofremos. É por que as pessoas acham que tudo é gratuito, não entendem que o gutural complementa toda essa agressividade da música. As pessoas ficam: “ah por que esse cara tá grunhindo? A gente nem entende o que ele tá cantando” E não entendem que isso tem uma razão, o vocal gutural existe por que a musica é agressiva, rápida e ele é o que melhor se encaixa.

2. A Mortos se define como death metal pensante, quais são as influências de vocês?
Na música são as bandas do gênero, Cannibal Corpse, Morbid Angel, Deicide, mas nós temos muita influência de filósofos, como o Hobbes, temos influência do Freud. Cada um é diferente na banda, eu pessoalmente tenho influências do rock progressivo, o Bruno (baterista) tem influências do rock clássico.

3. Vocês já fizeram parcerias com outras bandas?
Não, até por que é difícil achar outras bandas de death metal aqui, outras bandas que tem o estilo da gente. Fora a dificuldade técnica de gravar. Há outra banda com um som parecido com a nossa, a Unborn, fizeram parceria com outros músicos, mas é muito difícil de fazer isso. Nos anos 80 tinha muito disso, do cara fazer uma música com outro e pronto é um single, mas no underground é muito difícil isso.

4. Por que as músicas são gravadas em inglês?
É mais para o alcance mundial. A Mortos tem resenha das demos em zines da Turquia, Suécia, então sendo em inglês fica mais fácil essa compreensão tanto de lá como de cá, de entenderem o que nós estamos dizendo. Por que aqui no Brasil tem muitas bandas de metal que fazem sucesso lá fora e as letras são em inglês.

5. Onde vocês fizeram shows e qual foi o mais interessante?
De São Francisco do Brejão até Goiânia, risos. Já tocamos em grandes centros também, tocamos em São Luís, Teresina. Houve um lugar muito massa que foram umas 600 pessoas, para o underground é muito, a nossa meta é que sempre tenha mais público, o lugar era uma espécie de galpão onde tem essas festas de forró, mas nós tocamos numa festa de Halloween, foi muito legal.

6. Como é o processo de composição?
Muita coisa vem de improviso, na parte instrumental. Geralmente nós fazemos a parte lírica primeiro e nos ensaios vamos fazendo a parte instrumental de acordo com a letra.Nós lemos agora ‘O anticristo’ do Nietzsche, resenhamos e vamos pegar as partes mais importantes.

7. Onde foram gravadas as demos?
As demos foram gravadas aqui em Imperatriz e foram finalizadas em Belém. A estrutura técnica dos estúdios aqui são a mesma dos grandes centros, mas os produtores meio que não entendem nossa música e isso não é bom.

8. Há previsão para nova demo ou CD?
É daqui pra frente, risos. Vai depender do nosso bolso, nós gastamos mais do que ganhamos. Tem que gostar muito mesmo para continuar, por que nós somos assalariados, temos contas para pagar e a banda é hobbie.Nós também não temos pressão de produzir, já tem muita coisa feita, mas tem a dificuldade financeira para gravar, tanto é que nós estamos vendo se vai ser CD ou demo.

9. O que você acha do cenário do rock em Imperatriz? O público cresceu ou foram só os espaços?
Eu acho que o público não cresceu, só os espaços. E ainda assim, quem vai pros lugares que tocam rock vão mais para beber, para festejar, mas não vão mesmo para curtir a música, entende? Saem para se divertir, mas não para ouvir a música especificamente. Quando a gente faz show de metal extremo, a gente vê a diferença. Só vai quem realmente curte e o público fica prestando atenção mesmo