CRANIUM CRUSHING [ ENTREVISTA ]

Lucio Oliveira 6 Out 2010 | http://underground-ma.blogspot.com
A Cranium Crushing vem de São Luis-MA e iniciou suas atividades em 2007, desde então a banda assola o território maranhense com seu Death Metal com influências de Thrash. Atualmente formada por Tiago Alves(Bateria), Alexandre Costa(Guitarra), Raphael Marques(Guitarra) e Ricardo Marques(Baixo/Vocal), a banda prepara o seu próximo album que se chamará: "Destroy the House of God". Confira a entrevista com Ricardo Marques (vocal/baixo).


Conte um pouco da trajetória desde o início da banda até os dias atuais.
Ricardo: Bom, em primeiro lugar quero agradecer pela oportunidade que vocês estão nos oferecendo. Fazendo uma coisa que poucas pessoas fazem nesse meio, parabéns e obrigado. Pois bem, como eu costumo dizer, a nossa sede pelo HEAVY METAL foi sempre tão grande que apenas ir para os shows não bastava, o que agente sempre quis mesmo foi tocar. Hoje, obviamente, com mais comprometimento do que na época em que começamos... Não como uma coisa profissional claro, mas, como um meio de saciar essa nossa sede e sempre com a mesma empolgação de início. A banda começou apenas como uma brincadeira de finais de semana, agente era muito novo, com uma faixa de idade de 15 a 17 anos, meu irmão tocava baixo na época e eu era só vocal, o baterista e o guitarrista, Thiago e Macajaba respectivamente, estudavam na mesma escola que o Raphael. Naquela época a única coisa que importava pra nós era chegar o sábado e esquecer colégio (risos) pra pegar os instrumentos botar nas costas e ir tocar músicas que iam de Motorhead, Judas, Death, Sepultura, Deicide, Venom, Morbid Angel, Cannibal Corpse entre outras... Certo tempo depois agente conheceu o Alexandre (guitarra) num show e logo ele entrou para a banda, que nem nome tinha ainda, esse foi nosso primeiro Line-up e foi o único que durou um certo tempo antes do atual. Com essa formação veio o nome Cranium Crushing - tirado de uma letra do Cannibal Corpse - e as primeiras músicas. Thiago e Macajaba não ficaram muito tempo na banda por meio de alguns problemas, causados por nós mesmo (risos), a mãe do Thiago jurava que nós fazíamos apologia ao demônio dentro da casa dela (risos).
Então, depois das saídas, fui pro baixo, o Raphael assumiu a outra guitarra e chamamos o Tiago que também é baterista da Carnal Throne. Lançamos nosso primeiro material no ano passado e fizemos alguns shows tanto aqui como em outras cidades.

Quais foram as dificuldades encontradas pela Cranium Crushing nesses anos de carreira?
Ricardo: Bicho, o que sempre atrapalhou foi a falta de alguma coisa, como estrutura, instrumento, grana e como falei no início, bateristas. Quem ta no underground é pra se fuder né velho? Agente faz isso por amor ao metal. Por mais que seja divertido tocar... Manter banda é caro, lançar material é caro, então, eu vejo esses lances de dificuldades apenas como testes. E quando passamos por estes, nos tornamos mais fortes e mais firmes naquilo que a gente dá o sangue.

Em 2009 foi lançado a demo intitulada "Reaper of the Lives". Como foi a repercussão deste álbum?
Ricardo: Pois bem, rendeu bastante, foi bom pra divulgar nosso som em outras cidades, estados e até em outros países, onde bandas que lançam material são vistas de um jeito diferente, até viajamos três semanas seguidas ano passado, meio que uma mini-tour com a Serial Killer, pra Santa Inês; viagem essa que foi nossa primeira com a Serial, sem falar dos amigos que desceram pra esse rolê junto com a gente e da força da Aritanna na produção sempre; Belém, que foi do caralho, show infernal, parecia uma competição de quem dava mais mosh, sem falar da insanidade dos bangers de lá, amassaram até uma lata de cerveja na minha cabeça(risos); E por fim, Açailândia que só me deu mais certeza de que metal é coisa de quem dá o sangue pela coisa mesmo, os bangers de lá clamam por metal e foi isso que demos pra eles. Lembrando também que conseguimos até uma resenha muito positiva na edição 129 da Roadie Crew na parte de Garage Demos.

O próximo álbum "Destroy the House of God", já está em fase de produção, composição? Como está o andamento dos trabalhos e quando que o mesmo será lançado no mercado?
Ricardo: Bom, as músicas para esse álbum já estão todas compostas e estamos pensando em lançar ele como full-lenght regravando as músicas da primeira Demo, só estamos finalizando mais uma faixa pra iniciarmos a gravação. E se tudo der certo pro final de dezembro ou início de janeiro já vamos começar com a divulgação do mesmo.

Já há uma capa definida?
Ricardo: Ainda não está definida, mas existe uma idéia concreta pra isso, uma coisa que vai repassar perfeitamente a proposta do álbum. Pois no momento estamos mais preocupados com a gravação.
Uma coisa de cada vez...

Dá pra adiantar quais aspectos vocês apontariam que evoluíram em relação ao material anterior, Reaper of the Lives?
Ricardo: A pegada tá bem mais firme, os riffs mais trabalhados, o som mais feroz e agressivo do que antes, com refrões fortes e temáticas peculiares ao death metal old school. Como que eu posso dizer... É um fight sonoro contra o cristianismo.

O forte conteúdo lírico encontrado em seus temas é uma marca da banda. Todo esse teor nas letras teria alguns alvos, em especial o chamado White Metal. Algumas bandas que, inclusive, dizem-se Black Metal seguem esta "tendência". Fale a sua opinião a respeito deste "movimento".
Ricardo: Eu acho ridículo e sem nexo, é como tocar bossa nova e falar nas letras que quer estuprar as leis de deus e profanar as religiões do mundo. Estranho né? Eu sei que existe uma coisa chamada liberdade de expressão, mas quanto ao metal eu sou radical mesmo, metal não foi feito pra ser usado como catequização, a religião deturpa tudo e ninguém faz nada, por isso se depender de mim esse suposto ‘movimento’ nunca terá repercussão. Metal apareceu pra seguir no caminho contrário dessas merdas que jogam na nossa cara todos os dias. White ‘metal’ pra mim, não é metal e nunca vai ser. É apenas mais um meio que a igreja encontrou de mais lucro pros seus bolsos. Metal é música e música é arte... E não dogma.

Como anda a cena do metal na ilha? Normalmente não vemos muitas bandas em tours pelo Brasil.
Ricardo: A cena de São Luís está ficando cada vez mais forte. Tivemos bons shows este ano e estamos com bandas boas em estúdio. Até o final desse ano, muitos materiais importantes pra consolidação de uma época na nossa cidade, serão lançados e abrirão bons horizontes pra quem sabe, futuramente, tours pelo país. Eu vejo que esse é o um bom momento, não só para as bandas, mas também para a cena metal de são Luís chamar atenção de verdade.
Além da Cranium Crushing quais bandas locais vocês indicariam como promessas?
Ricardo: Em primeiro lugar, sem desmerecer nenhuma outra banda daqui. Eu acredito que as promessas são a GRAVE REAPER que tá fazendo um Black/Thrash Metal estupendo. O SERIAL KILLER que caminha cada vez mais na linha certa do Thrash Metal agressivo e matador, depois a FLAGRVM que é um soco bem no meio da cara, daqueles de derrubar até mesmo um cara grandão (risos), Death Metal com gosto de gás, a GLOCK ADVENTURE que tá fazendo um Grind do caralho apesar dos caras serem meio que tiozões (risos), a pegada é furiosa. E por ultimo, mas não tão menos importante, uma banda que é revelação aqui na cidade a BERÇO DE JUDAS, que toca um Heavy Metal na linha NWOBHM, com uma sonoridade autêntica e um feeling sem igual, quem gosta de Grim Reaper e Judas vai viciar.

Cada vez mais é deflagrante que o público vem se dividindo em grupos, principalmente por pensamentos como "eu escuto tal estilo do metal e o que você curte não presta". Imagino que nos anos 80 não havia isso em grande extensão e todos eram mais unidos. Você acredita numa união dos fãs novamente em busca de um maior respeito pelo Metal, tão discriminado pela grande mídia e pessoas fora do meio?
Ricardo: Cara, eu acredito sim, que possa haver uma união, com certeza... Mas isso não acontece da noite pro dia. Leva tempo e requer bastante amadurecimento coisa que só acontece com um certo tempo mesmo.
Quando a gente começa nisso, muitas vezes somos muito radicais, eu confesso que não deixei de ser radical pra certas coisas, mas aprendi a me moldar muito em alguns anos. A meu ver, o mais importante é aprender a respeitar as outras pessoas e os seus gostos musicais afinal de contas todos estão nisso pelo metal por mais que não sigamos os mesmos caminhos

Muito obrigado pela entrevista e deixo o espaço aberto para deixar o recado que vocês quiserem para os usuários do UNDERGROUND-MA.
Ricardo: Eu quem agradeço de verdade pelo espaço cedido e parabenizo mais uma vez o blog pela iniciativa hehe. O que eu tenho a dizer é Tolerância Zero, sempre, contra: Nazistas=Facistas=Posers=White-merdas=new-merdas e todo o lixo religioso (que assola nossas sociedades mal informadas) e que tenta de forma fracassada evangelizar mentes abertas. E por fim, um alerta aos falsos. No meio em que vivemos existe uma peneira, e ela esta ‘viva’ todos os anos, passando e derrubando, enquanto os verdadeiros headbangers resistem sempre! Keep the metal flames, burning your fucking soul!!!

MYSPACE
http://myspace.com/craniumcrushing

CONTATO
Tinhoso_Records@hotmail.com = Selo
Rikardomarques@hotmail.com = vocalista
Al6x6n6re@hotmail.com = guitarrista
Aritanna-varney@hotmail.com = produtora